Coordenador Fernando Carvalho e Dr.ª Claubia Pereira do INCT confirmados como palestrantes da VIII SENCIR

A VIII SENCIR – International Week of Nuclear and Energy Engineering and Radiation Sciences será realizada de 9 a 13 de novembro de 2026, das 8h às 17h, na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em Belo Horizonte. A VIII SENCIR é um congresso bienal voltado à divulgação de atividades científicas e acadêmicas nas áreas de engenharia nuclear, engenharia de energia e ciências da radiação. O evento também promove o debate sobre avanços tecnológicos e científicos, além de compartilhar informações relevantes sobre o mercado de trabalho nesses campos. As duas últimas edições da SENCIR contaram com a participação de palestrantes nacionais e internacionais, consolidando o evento no cenário acadêmico. Diante do alcance e do sucesso obtidos, a oitava edição está sendo preparada para se firmar oficialmente como um evento de caráter nacional e internacional. Entre os palestrantes confirmados estão o Dr. Fernando Carvalho da Silva, professor do Programa de Engenharia Nuclear e coordenador do INCT, e a Dr.ª Claubia Pereira, também do INCT. O congresso está sendo organizado pelo Departamento de Engenharia Nuclear da Escola de Engenharia da UFMG, com a colaboração e o apoio de instituições do Brasil e do exterior. Tradicionalmente, os trabalhos completos apresentados no evento são publicados nos anais do congresso e divulgados em sessões de pôsteres e apresentações orais. A programação inclui palestras com especialistas, minicursos, mesas-redondas, workshops, estandes com demonstrações de estudos e equipamentos, apresentações de trabalhos de pesquisa e visitas técnicas. O evento representa uma importante oportunidade para o fortalecimento de colaborações, desenvolvimento de projetos conjuntos e ampliação de estudos entre especialistas do Brasil e de outros países no setor nuclear. Clique AQUI para mais informações!
Demanda da inteligência artificial pode impulsionar expansão histórica da energia nuclear até 2050

O avanço acelerado da inteligência artificial (IA) está provocando uma mudança profunda no debate global sobre energia, e a energia nuclear voltou ao centro das estratégias de longo prazo. Um relatório internacional aponta que a capacidade nuclear instalada no mundo pode registrar um salto histórico até 2050, impulsionada principalmente pela demanda crescente de eletricidade dos data centers que sustentam modelos de IA, serviços em nuvem e sistemas digitais de alta complexidade. Todo o conforto, automação e agilidade proporcionados pelas ferramentas de inteligência artificial têm um custo energético significativo. Os data centers responsáveis por treinar, armazenar e operar modelos avançados consomem volumes de eletricidade comparáveis aos de países inteiros. Essa “fome” energética passou a ser tratada como um dos principais desafios da nova economia digital e foi tema de discussões estratégicas no Fórum Econômico Mundial de 2026, em Davos, onde líderes políticos, executivos de tecnologia e especialistas em energia debateram como sustentar essa expansão sem comprometer metas climáticas. Nesse contexto, a Associação Nuclear Mundial divulgou o relatório World Nuclear Outlook, indicando que os planos já anunciados por diferentes governos podem elevar a capacidade nuclear global para cerca de 1.446 gigawatts até 2050. Hoje, a potência somada dos reatores em operação no mundo gira em torno de 370 a 380 gigawatts elétricos (GW). A projeção representa, portanto, uma expansão sem precedentes, recolocando a energia nuclear como um dos pilares para garantir oferta estável e de grande escala nas próximas décadas. O diagnóstico que se consolida entre especialistas é que a infraestrutura elétrica se tornou o verdadeiro gargalo da era da inteligência artificial. Algoritmos evoluem rapidamente, chips ficam mais potentes e aplicações se multiplicam, mas a geração de energia precisa acompanhar esse ritmo. Treinar grandes modelos, manter sistemas generativos funcionando 24 horas por dia e expandir serviços digitais globais exige fornecimento contínuo, confiável e de baixa emissão de carbono, características associadas à geração nuclear. Além da estabilidade, a energia nuclear é vista como aliada na transição energética, por não emitir gases de efeito estufa durante a operação. Para muitos países, a combinação de renováveis com usinas nucleares passa a ser considerada uma estratégia para atender à crescente demanda sem aumentar a dependência de combustíveis fósseis. Ao mesmo tempo, o debate sobre segurança, custos, resíduos e aceitação social segue como parte central das decisões que moldarão o ritmo dessa expansão. Com a digitalização avançando sobre praticamente todos os setores, da indústria à saúde, da educação aos serviços financeiros, a relação entre inteligência artificial e energia tende a se tornar cada vez mais estreita. O cenário projetado até 2050 indica que o futuro da IA não depende apenas de avanços computacionais, mas também da capacidade global de produzir eletricidade em escala suficiente, de forma segura e sustentável, colocando a energia nuclear novamente em posição estratégica no tabuleiro energético mundial. Fonte: Veja
Data centers e energia nuclear: novas oportunidades no cenário tecnológico brasileiro

O Brasil desponta como um dos principais destinos globais para investimentos em data centers, com expectativa de atrair cerca de US$ 3 trilhões nos próximos cinco anos, segundo a Moody’s. Atualmente na 12ª posição do ranking mundial e líder na América Latina, o país conta com cerca de 200 empreendimentos e previsão de investimentos entre R$ 60 bilhões e R$ 100 bilhões até 2030. De acordo com o ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, fatores como abundância de energia e água, além da posição estratégica no tráfego internacional de dados e da rede de cabos submarinos, tornam o Brasil altamente atrativo. O Ministério das Comunicações planeja implementar uma Política Nacional de Data Centers, vinculada à Nova Indústria Brasil (NIB), com foco em segurança jurídica, eficiência energética e formação de mão de obra, além da criação do Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center no Brasil (Redata), que depende de aprovação do Congresso Nacional. Esse cenário pode favorecer parcerias com o setor nuclear, especialmente diante da crescente demanda energética dos data centers. Grandes empresas de tecnologia já adotam a energia nuclear como alternativa limpa e confiável. Em janeiro, a Meta firmou parcerias com TerraPower, Oklo Inc. e Kairos Power para abastecer o projeto Prometheus, um supercluster de IA. Amazon e Google também anunciaram acordos com instituições do setor nuclear, incluindo projetos com pequenos reatores modulares (SMRs). No Brasil, esse contexto pode impulsionar o desenvolvimento do primeiro microrreator nuclear nacional, cujo licenciamento da Unidade Crítica teve início no fim de 2025. O projeto, desenvolvido no Instituto de Engenharia Nuclear (IEN/CNEN) com a participação de 13 parceiros institucionais, prevê aplicações como o fornecimento de energia para data centers. Segundo o Dr. Francisco José de Oliveira Ferreira, diretor substituto do IEN/CNEN, os microrreatores nucleares se apresentam como uma solução compacta, eficiente e sustentável para garantir energia contínua e confiável às operações críticas de inteligência artificial. Clique AQUI para mais informações! Fonte: Gov.br
Microrreatores nucleares entram no radar de longo prazo no Brasil

Os microrreatores nucleares voltam a integrar o planejamento energético de longo prazo do Brasil, impulsionados por investimentos públicos e privados e pela construção de uma unidade crítica no Rio de Janeiro. Com potência entre 1 e 10 megawatts, esses reatores são voltados ao atendimento de comunidades isoladas, polos industriais e infraestruturas remotas, como alternativa aos geradores a diesel, enquanto os pequenos reatores modulares (SMRs) e as usinas convencionais seguem atendendo demandas maiores do sistema elétrico. No país, a tecnologia ainda está em fase experimental. O principal projeto reúne cerca de R$ 30 milhões do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, via Finep, e aproximadamente R$ 20 milhões de contrapartida privada liderada pela Diamante Geração de Energia, com foco em pesquisa e formação técnica, sem geração comercial de energia. No cenário internacional, países como Estados Unidos, China, Rússia, Canadá e Japão também mantêm os microrreatores majoritariamente em unidades de teste ou demonstração. Entre os desafios estão o combustível nuclear, já que muitos projetos exigem enriquecimento acima dos 5% dominados pelo Brasil, e a gestão de rejeitos, hoje armazenados de forma provisória, como ocorre nas usinas de Angra, que ainda não contam com um repositório geológico definitivo. Apesar dos avanços em segurança, como resfriamento passivo e maior automação, a expectativa é que a aplicação comercial dos microrreatores no Brasil ocorra apenas no final da década de 2030, inicialmente em projetos-piloto, competindo com outras fontes de baixo carbono em nichos específicos onde confiabilidade e logística são determinantes. Confira a notícia completa AQUI! Fonte: CNN Brasil
Governo avança e cria grupo de trabalho para estudos sobre Microrreatores Nucleares

O governo federal avançou na agenda de estudos sobre novas tecnologias nucleares ao instituir um Grupo Técnico para avaliar a infraestrutura nacional necessária à eventual recepção de pequenos e microrreatores nucleares no Brasil. A iniciativa foi formalizada pelo Comitê de Desenvolvimento do Programa Nuclear Brasileiro, vinculado ao Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, por meio da Resolução nº 43/2026, publicada nesta quarta-feira (7) no Diário Oficial da União. Os microrreatores modulares são reatores nucleares de baixa potência, geralmente de até 300 MW, desenvolvidos de forma compacta e padronizada. A tecnologia permite a geração de energia descentralizada e contínua, sendo considerada uma alternativa com menor custo e prazo de implantação mais curto em comparação às usinas nucleares convencionais. Em desenvolvimento em diversos países, os microrreatores têm ganhado destaque no debate energético global. No Brasil, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, tem defendido publicamente a ampliação dos investimentos na fonte nuclear, ressaltando o potencial brasileiro em urânio e a importância de uma matriz energética mais segura, confiável e distribuída. O Grupo Técnico será coordenado pelo Ministério de Minas e Energia e contará com representantes titulares e suplentes de diferentes órgãos e entidades, entre eles o Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, os ministérios da Ciência, Tecnologia e Inovação, do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, do Meio Ambiente e Mudança do Clima e de Minas e Energia, além de instituições como a Comissão Nacional de Energia Nuclear, a Autoridade Nacional de Segurança Nuclear, a Eletronuclear, a Empresa de Pesquisas Energéticas, o Ibama, as Indústrias Nucleares do Brasil S.A. e a Marinha do Brasil, por meio de sua Diretoria-Geral de Desenvolvimento Nuclear e Tecnológico. O prazo inicial de funcionamento do grupo será de 180 dias, com possibilidade de prorrogação por até 90 dias. As reuniões ordinárias e extraordinárias estão previstas para ocorrer no Palácio do Planalto, em Brasília. Fonte: Canal Solar
Novo navio russo de propulsão nuclear terá capacidade de quebrar gelo com até 3 metros no Oceano Ártico

A Rússia deu mais um passo na ampliação de sua frota de quebra-gelos nucleares com o assentamento da quilha do Stalingrado, o sétimo navio do Projeto 22220, no Estaleiro do Báltico. A etapa marca o avanço da construção de uma embarcação projetada para operar em algumas das condições mais extremas do planeta, com capacidade de romper camadas de gelo de até 3 metros de espessura no Oceano Ártico. Quando entrar em serviço, o Stalingrado será o nono navio de propulsão nuclear da frota russa, reforçando a estratégia do país de manter operação contínua em regiões de altas latitudes, onde o gelo impõe severas limitações à navegação convencional. A série do Projeto 22220 é considerada a espinha dorsal dessa atuação, combinando alta potência, grande autonomia e flexibilidade operacional. Avanço do programa e relevância estratégica O assentamento da quilha simboliza o progresso do programa de quebra-gelos nucleares, considerado essencial para garantir a navegabilidade da Rota Marítima do Norte ao longo de todo o ano. A capacidade de enfrentar gelo espesso coloca o Stalingrado em um patamar elevado de desempenho, ampliando o alcance logístico e operacional no Ártico. O nome do navio faz referência à cidade de Stalingrado, atual Volgogrado, em homenagem à histórica Batalha de Stalingrado, travada entre julho de 1942 e fevereiro de 1943, um dos episódios decisivos da Segunda Guerra Mundial. A cerimônia foi planejada para coincidir simbolicamente com o início da Operação Urano, contraofensiva soviética que marcou a virada do conflito naquela região. Durante a solenidade realizada por videoconferência, o presidente Vladimir Putin destacou que o novo quebra-gelo deverá abrir caminhos em meio ao gelo do Ártico e se tornar um símbolo da capacidade técnica e criativa do país em condições extremas. Rota Marítima do Norte e soberania logística Outro ponto central abordado no evento foi o desenvolvimento do Corredor de Transporte Transártico, que incorpora a Rota Marítima do Norte como eixo estratégico. Segundo Alexey Likhachev, diretor-geral da Rosatom, a consolidação dessa rota fortalece a soberania logística russa e sustenta projetos nacionais no Ártico. Em um gesto simbólico, o veterano da Batalha de Stalingrado Pavel Vinokurov, de 103 anos, entregou a Likhachev uma cápsula com terra de Volgogrado, que será mantida a bordo do navio como homenagem histórica. Design, tecnologia e estágio da obra O Stalingrado terá identidade visual própria, com superestrutura branca e detalhes em vermelho. Na parte frontal, um mural com uma estrela branca sobre fundo vermelho faz referência à escultura “A Pátria Chama”, símbolo da cidade homenageada. Além do aspecto simbólico, o esquema visual facilita a distinção entre os navios da mesma classe, como o Leningrado, que utiliza cores azul e branca. No momento do assentamento da quilha, a embarcação estava com cerca de 4% da construção concluída, com as três primeiras seções do casco já montadas. O projeto mantém as principais características do Projeto 22220, incluindo dois reatores nucleares RITM-200, sistema de propulsão elétrica de corrente alternada e projeto de calado duplo, que permite operar tanto em águas profundas quanto rasas. Próximos passos Além do Stalingrado, outros navios da mesma classe seguem em construção no Estaleiro do Báltico, como o Chukotka e o Leningrado. A futura incorporação do novo quebra-gelo deve ampliar a capacidade russa de manter operações regulares no Ártico, consolidando a presença em uma região estratégica onde o gelo ainda representa o principal desafio à navegação. Com isso, a Rússia reforça sua aposta em meios navais nucleares especializados para sustentar planos de transporte, logística e exploração em áreas de alta latitude, onde tecnologia e resistência são fatores decisivos. Fonte: Click Petróleo e Gás
Brasil inicia processo para abrigar primeiros microrreatores com capacidade para produzir energia elétrica renovável

O setor nuclear brasileiro registra um avanço inédito ao iniciar o processo para a instalação da primeira unidade crítica destinada a abrigar microrreatores nucleares no país. O empreendimento, que será implantado no Rio de Janeiro, marca um passo estratégico para atender às crescentes demandas por energia limpa, inovação tecnológica e segurança no fornecimento elétrico. A iniciativa reúne 13 parceiros institucionais e conta com investimento total de R$ 50 milhões, sendo R$ 30 milhões aportados pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), por meio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). Coordenado pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), o projeto envolve a participação de empresas privadas, órgãos de fomento, instituições científicas, universidades e organismos internacionais, como a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). A expectativa é que os primeiros microrreatores desenvolvidos a partir dessa unidade estejam prontos para uso até 2033, ampliando as possibilidades de aplicação da energia nuclear em escala local. Os microrreatores nucleares são projetados para fornecer energia elétrica de forma estável e contínua a pequenas cidades, além de atender a demandas específicas de data centers, plataformas de petróleo offshore, bases militares e diversos segmentos industriais, como metalurgia, indústria alimentícia, química, têxtil e de produtos minerais não metálicos. Compactos e transportáveis, esses sistemas representam uma alternativa viável para regiões onde a expansão das redes de transmissão é limitada ou economicamente inviável. De acordo com levantamento do MCTI, cerca de 68% dos municípios brasileiros — especialmente aqueles com menos de 20 mil habitantes — têm potencial para receber energia por meio de microrreatores nucleares, o que pode impactar diretamente a vida de aproximadamente 30 milhões de pessoas. A tecnologia também se mostra estratégica para atender comunidades ribeirinhas e localidades situadas em áreas de mata, substituindo sistemas isolados movidos a combustíveis fósseis e reduzindo custos logísticos e emissões de gases de efeito estufa. A unidade crítica será instalada no Instituto de Engenharia Nuclear (IEN), vinculado à CNEN, no Rio de Janeiro. Essa estrutura operará em potência extremamente baixa, na escala de 100 watts, suficiente para manter a reação nuclear em cadeia de forma controlada e permitir a validação de parâmetros de segurança, engenharia e operação. Após o licenciamento para a construção, o cronograma oficial prevê que o primeiro microrreator nuclear brasileiro esteja apto a entrar em operação até 2033. Para o secretário de Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento Social do MCTI, Inácio Arruda, o projeto reafirma a confiança do governo federal na ciência como vetor de desenvolvimento. Segundo ele, o apoio à pesquisa e à inovação, especialmente na área de energia, pode gerar benefícios significativos para o país em múltiplos setores. O diretor do Instituto de Engenharia Nuclear, Cristóvão Araripe, ressalta que a iniciativa contribui diretamente para enfrentar desafios centrais do século XXI, como a descarbonização, a transição energética e o desenvolvimento sustentável. A energia nuclear, destaca, tem como uma de suas principais vantagens a geração de eletricidade sem emissão direta de gases poluentes responsáveis pelo aumento do efeito estufa. Na avaliação do diretor-executivo da Terminus P&D em Energia, Adolfo Braid, uma das empresas investidoras do projeto, o Brasil dispõe de capacidade científica, tecnológica e industrial para projetar, fabricar e operar microrreatores nucleares com excelência. Segundo ele, dominar todo o ciclo do combustível e internalizar esse conhecimento estratégico representa um ganho significativo para o país, que se traduz, ao final, em benefícios diretos para a população brasileira, especialmente em regiões hoje pouco atendidas pelo sistema elétrico. Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação
Brasil aposta em microrreatores nucleares para expandir energia limpa a partir de 2033

O Brasil deu um passo inédito rumo à diversificação de sua matriz energética e ao fortalecimento da transição para fontes de baixa emissão de carbono. Com investimento total de R$ 50 milhões e a participação de 13 parceiros institucionais, o governo federal iniciou o processo para a instalação da primeira unidade crítica de microrreatores nucleares do país, que será construída no Instituto de Engenharia Nuclear (IEN), no Rio de Janeiro. A expectativa é que o primeiro protótipo esteja pronto para operação até 2033, com potencial para levar energia limpa e estável a pequenas cidades, comunidades isoladas e aplicações estratégicas. O projeto foi oficialmente iniciado em dezembro de 2025 e coloca o Brasil no grupo de países que desenvolvem microrreatores nucleares, uma tecnologia considerada promissora para atender demandas locais de energia onde a expansão das redes de transmissão é limitada ou economicamente inviável. A unidade crítica terá potência extremamente baixa, da ordem de 100 watts, suficiente apenas para sustentar a reação nuclear em cadeia de forma controlada, permitindo a validação de parâmetros de segurança, engenharia e operação. A iniciativa é coordenada pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) e conta com financiamento de R$ 30 milhões do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), por meio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), além de recursos de parceiros privados, universidades, instituições científicas e organismos internacionais, como a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). O arranjo institucional reúne órgãos reguladores, centros de pesquisa e empresas do setor nuclear, fortalecendo a base tecnológica nacional. Os microrreatores nucleares brasileiros são projetados para atender diferentes finalidades no futuro, incluindo o fornecimento de energia elétrica para cidades de pequeno porte, data centers, plataformas de petróleo offshore, bases militares e segmentos industriais como metalurgia, indústria química, alimentícia e têxtil. Compactos e transportáveis, esses sistemas oferecem alta densidade energética e operação contínua, com emissões praticamente nulas de gases de efeito estufa durante o funcionamento. De acordo com dados do MCTI, cerca de 68% dos municípios brasileiros — especialmente aqueles com menos de 20 mil habitantes — teriam potencial para receber energia por meio dessa tecnologia, impactando aproximadamente 30 milhões de pessoas. Em regiões remotas, como comunidades ribeirinhas e áreas de floresta, os microrreatores podem substituir sistemas isolados movidos a diesel, reduzindo custos logísticos, emissões e a dependência do transporte constante de combustíveis fósseis. Para o secretário de Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento Social do MCTI, Inácio Arruda, o projeto simboliza a aposta do país na ciência como eixo estruturante da política energética. Já o diretor do IEN, Cristóvão Araripe, destaca que os microrreatores contribuem diretamente para enfrentar desafios do século XXI, como a descarbonização, a segurança energética e o desenvolvimento sustentável. Na avaliação de Adolfo Braid, diretor executivo da Terminus P&D em Energia, o Brasil reúne condições científicas, tecnológicas e industriais para projetar, fabricar e operar microrreatores com autonomia, aproveitando a experiência acumulada no domínio do ciclo do combustível nuclear. Segundo ele, internalizar esse conhecimento estratégico é fundamental para garantir benefícios diretos à população, especialmente em regiões hoje pouco atendidas pelo sistema elétrico. O cronograma oficial prevê, nos próximos anos, a conclusão do licenciamento, a construção da unidade crítica e a realização de testes operacionais sob supervisão da CNEN. A partir dessa etapa, serão definidos os modelos comerciais, padrões de segurança e estratégias de inserção dos microrreatores na matriz energética nacional. Até 2033, o objetivo é ter ao menos um microrreator em operação real, abrindo caminho para uma nova fase da energia nuclear no Brasil, agora voltada à escala local, à inovação e à sustentabilidade. Fonte: Click Petróleo e Gás
Cerimônia marca o início formal do projeto do primeiro microrreator nuclear brasileiro

O setor nuclear brasileiro alcançou um marco histórico com o início formal do projeto do primeiro microrreator nuclear do país. No dia 9 de dezembro, o Instituto de Engenharia Nuclear (IEN), unidade técnico-científica da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), realizou uma cerimônia no Rio de Janeiro para marcar o início do processo de licenciamento do local onde será construída a Unidade Crítica (UCRI) do microrreator nuclear brasileiro. O evento simbolizou o avanço de uma iniciativa estratégica voltada ao desenvolvimento de tecnologias limpas, à inovação científica e ao fortalecimento da soberania energética nacional. A Unidade Crítica será instalada nas dependências do Reator Argonauta, no IEN/CNEN, onde serão realizados os trabalhos de instrumentação e testes do microrreator. O processo de licenciamento teve início oficialmente em 2 de dezembro de 2025, quando o IEN/CNEN encaminhou ofício à Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN), responsável pela regulação e fiscalização das atividades nucleares no Brasil, solicitando a autorização para a construção da unidade. Parceria institucional inédita O projeto do microrreator nuclear brasileiro é resultado de uma ampla articulação institucional, reunindo 13 parceiros entre empresas, órgãos de fomento, universidades e instituições científicas. Participam da iniciativa: Empresas privadas: Diamante Energia, Terminus P&D em Energia e Indústrias Nucleares do Brasil (INB). Órgãos de apoio e fomento: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Instituições científicas e universidades: Amazônia Azul Tecnologias de Defesa (Amazul), Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN/CNEN), Universidade Federal do Ceará (UFC), Instituto Nacional de Telecomunicações (Inatel), Marinha do Brasil, Universidade Federal do ABC (UFABC) e Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). A solenidade contou com a presença de representantes da maioria das instituições envolvidas, reforçando o caráter colaborativo e estratégico do empreendimento. Apoio governamental e financiamento Durante o evento, o secretário de Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento Social do MCTI, Inácio Arruda, destacou que o projeto do microrreator nuclear representa uma conquista da ciência brasileira e reafirmou o compromisso do Governo Federal com o fortalecimento do setor científico e tecnológico. “Ao conduzir o Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia, o presidente da República reafirma sua confiança na ciência, que pode beneficiar o nosso país em todas as áreas, especialmente na área de energia”, afirmou o secretário. Arruda também ressaltou a decisão política que viabilizou o financiamento do projeto, no valor total de R$ 50 milhões — sendo R$ 30 milhões provenientes da Finep, por meio do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), e R$ 20 milhões aportados pela Diamante Energia. Inovação tecnológica e formação de recursos humanos A mesa de autoridades foi composta pelo presidente da CNEN, Francisco Rondinelli Júnior; pela chefe de Avaliação de Segurança e coordenadora de Emergência da ANSN, Nélbia da Silva Lapa; pelo diretor de Pesquisa e Desenvolvimento da CNEN, Wilson Calvo; pelo diretor de Gestão Institucional da CNEN, Pedro Maffia; e pelo diretor do IEN/CNEN, Cristóvão Araripe Marinho. Em suas falas, os dirigentes destacaram o papel histórico do IEN/CNEN como instituição pioneira no desenvolvimento da ciência nuclear brasileira, lembrando que o Instituto foi responsável, nos anos 1960, pela construção do reator Argonauta, o primeiro reator de pesquisa totalmente projetado e montado por técnicos e engenheiros brasileiros. A Unidade Crítica do microrreator nuclear operará em potência extremamente baixa, da ordem de 100 watts, suficiente para sustentar a reação nuclear em cadeia de forma controlada. Nessa fase, os pesquisadores irão aferir parâmetros neutrônicos fundamentais e validar modelos teóricos, contribuindo para o avanço do conhecimento científico e para a formação de recursos humanos altamente qualificados na área nuclear. Segundo o diretor do IEN/CNEN, Cristóvão Araripe Marinho, o projeto está alinhado aos grandes desafios contemporâneos, como a descarbonização, a transição energética e o desenvolvimento sustentável, destacando-se por não emitir gases de efeito estufa. Avanços regulatórios e debate técnico Representando a ANSN, Nélbia Lapa ressaltou o compromisso da Autoridade em atualizar as normas de proteção radiológica e segurança nuclear para contemplar projetos inovadores como o microrreator, que apresenta características como modularidade e flexibilidade operacional. Na sequência da cerimônia, foi realizada uma mesa-redonda dedicada às tecnologias associadas aos microrreatores nucleares e ao papel das universidades e instituições de pesquisa nesse desenvolvimento. O debate foi mediado pelo professor Ênio Pontes de Deus, da Universidade Federal do Ceará, e contou com apresentações de especialistas que abordaram desde o desenvolvimento de tecnologias críticas até a fabricação aditiva de componentes para o microrreator. Aplicações e perspectivas futuras A cerimônia foi encerrada com o descerramento de uma placa comemorativa no salão do Reator Argonauta, simbolizando o início oficial do empreendimento. A expectativa é que, até 2033, o primeiro microrreator nuclear brasileiro esteja pronto para entrar em operação. No futuro, os microrreatores nucleares poderão ser utilizados para gerar eletricidade em municípios com menos de 20 mil habitantes, beneficiando cerca de 30 milhões de brasileiros. Devido ao seu porte compacto, essas unidades também poderão atender regiões de difícil acesso, como comunidades ribeirinhas e áreas remotas, além de aplicações em data centers, plataformas offshore, bases militares e diversos setores industriais. Segundo Adolfo de Aguiar Braid, diretor executivo da Terminus, o Brasil reúne todas as condições científicas, tecnológicas e industriais para dominar essa tecnologia. “Temos capacidade para projetar, fabricar e operar microrreatores nucleares, além de dominar todo o ciclo do combustível. Isso representa um enorme benefício estratégico para o país e para a população brasileira”, afirmou. ASSISTA ao vídeo da Diamante Energia sobre o projeto do microrreator nuclear brasileiro Fonte: Comissão Nacional de Energia Nuclear
Energia nuclear para data centers: Por que o cronograma para os SMRs de quarta geração é 2035

O uso de energia nuclear para alimentar data centers e a infraestrutura de inteligência artificial voltou ao centro do debate global. Embora projeções otimistas apontem para a adoção de Small Modular Reactors (SMRs) já no fim desta década, especialistas alertam que esse cronograma é irrealista. A realidade técnica e regulatória indica que a implantação comercial em larga escala dos SMRs de quarta geração só deve ocorrer a partir de 2035. A avaliação consta de análises recentes sobre a convergência entre energia nuclear e infraestrutura digital, que destacam gargalos estruturais que vão muito além de financiamento ou vontade política. O desafio central: não é falta de capital, é física Segundo especialistas do setor, o principal entrave para antecipar o uso de SMRs avançados não está no investimento, mas na ciência dos materiais. Diferentemente dos reatores de água leve tradicionais, os SMRs de quarta geração operam em temperaturas extremamente elevadas — entre 700°C e 950°C — utilizando tecnologias como sais fundidos, sódio líquido ou gás. Nessas condições, os metais sofrem um fenômeno chamado fluência térmica (thermal creep), no qual o material se deforma lentamente ao longo do tempo sob estresse contínuo. Para garantir a segurança nuclear, os componentes estruturais precisam ser certificados conforme o ASME Boiler and Pressure Vessel Code, que exige anos de testes físicos reais. De acordo com essas normas, não é possível “acelerar” artificialmente os ensaios elevando a temperatura, pois isso altera o modo de falha do material. Na prática, qualificar um material para operar por 30 anos requer cerca de 10 anos de dados experimentais válidos. Sem isso, não há licenciamento possível. Por essa razão, projetos mais pragmáticos, como os primeiros reatores Natrium, optam por ligas metálicas já amplamente conhecidas, como o aço inoxidável 316, mesmo com menor desempenho térmico, em troca de previsibilidade regulatória. Outro gargalo crítico: o combustível HALEU Além dos materiais, há um segundo obstáculo estrutural: a cadeia de suprimento de combustível nuclear. A maioria dos SMRs de quarta geração depende do HALEU (High-Assay Low-Enriched Uranium), um tipo de urânio com grau de enriquecimento superior ao usado em reatores convencionais. Atualmente, a capacidade comercial de produção de HALEU é extremamente limitada. Para sustentar uma frota de SMRs voltada a data centers na década de 2030, seriam necessárias mais de 50 toneladas métricas por ano. No entanto, a produção existente é da ordem de centenas de quilos anuais, exigindo uma expansão de 50 a 100 vezes. Construir essa infraestrutura envolve novos complexos industriais de enriquecimento e licenciamento rigoroso, um processo que pode levar de 5 a 7 anos, mesmo após decisões políticas favoráveis. A ilusão da aceleração por inteligência artificial Embora a inteligência artificial tenha avançado de forma significativa na simulação de materiais e sistemas complexos, ela não substitui os testes físicos exigidos pelos reguladores nucleares. Modelagens computacionais ajudam a prever falhas, mas a validação final exige ensaios “in-pile”, ou seja, testes realizados dentro de reatores em operação real, onde materiais são expostos simultaneamente à radiação e ao calor extremo por longos períodos. Ensaios acelerados com feixes de íons, por exemplo, afetam apenas a superfície dos materiais e não reproduzem o comportamento estrutural completo sob fluxo de nêutrons, requisito fundamental para o licenciamento. Quando os SMRs estarão prontos para os data centers? O consenso técnico aponta que protótipos e unidades de demonstração devem surgir no fim dos anos 2020. No entanto, a implantação comercial em escala compatível com grandes operadores de data centers — como os hyperscalers — não deve ocorrer antes de 2035, podendo se estender até 2040. A estratégia de transição: a “Bridge Strategy” Diante desse cenário, especialistas recomendam que operadores de infraestrutura digital adotem uma estratégia de transição, em vez de “esperar pela nuclear”. Essa abordagem inclui: Energia nuclear e o futuro da IA A energia nuclear continua sendo vista como a única solução de longo prazo capaz de fornecer energia firme, limpa e em grande escala para sustentar a expansão da inteligência artificial. No entanto, a maturação tecnológica dos SMRs de quarta geração segue um ritmo imposto pela física, pela engenharia e pela regulação — não pelo marketing. Assim, o ano de 2035 surge não como um atraso, mas como um horizonte realista, alinhado com a segurança, a confiabilidade e a sustentabilidade que a infraestrutura crítica global exige. Fonte: Tony Graysonvet