Edital para concessão de bolsas de Pós-Doutorado no âmbito do INCT de Reatores Nucleares Modulares e Inovadores

Estão abertas as inscrições para o Edital de concessão de bolsas de Pós-Doutorado no âmbito do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) de Reatores Nucleares Modulares e Inovadores. A iniciativa tem como objetivo fortalecer a pesquisa científica e tecnológica na área nuclear, promovendo o desenvolvimento de estudos avançados relacionados a reatores nucleares modulares, inovação tecnológica, segurança e aplicações estratégicas da energia nuclear. As bolsas de pós-doutorado destinam-se a pesquisadores com doutorado concluído que desejam desenvolver projetos de pesquisa vinculados às linhas de investigação do INCT, contribuindo para o avanço do conhecimento científico e para a formação de recursos humanos altamente qualificados no país. O programa integra uma rede de pesquisadores e instituições que atuam na pesquisa e no desenvolvimento de tecnologias nucleares inovadoras, alinhadas às demandas energéticas, tecnológicas e ambientais contemporâneas. Os interessados devem consultar o edital completo para verificar requisitos, critérios de seleção, documentação necessária e prazos para inscrição. Acesse o edital completo para mais informações sobre o processo de candidatura e as condições da bolsa, AQUI A participação no edital representa uma oportunidade para pesquisadores desenvolverem estudos de alto impacto científico, contribuindo para o avanço das tecnologias nucleares e da inovação no setor energético.
Save the Date: INAC 2026 – Energia Nuclear para um Futuro Verde

Já estão confirmadas as datas do principal encontro do setor nuclear no Brasil. O INAC 2026 – International Nuclear Atlantic Conference será realizado de 24 a 28 de agosto de 2026, na Escola de Guerra Naval (EGN), na Urca, Rio de Janeiro. Com o tema “Energia Nuclear: Átomos para um futuro verde”, o evento reunirá especialistas, pesquisadores, estudantes, representantes da indústria, autoridades e lideranças institucionais para debater inovação, sustentabilidade e o papel estratégico da energia nuclear na transição energética. Ao longo de cinco dias de programação, o INAC 2026 promoverá apresentações técnicas, painéis temáticos e discussões estratégicas voltadas ao desenvolvimento científico e tecnológico do setor, além de fortalecer conexões entre academia, indústria e órgãos reguladores. A conferência se consolida como um espaço fundamental para a troca de conhecimento e para a construção de soluções que contribuam para um sistema energético mais seguro, eficiente e de baixa emissão de carbono. O encontro também reforça a importância da energia nuclear no contexto global de descarbonização, segurança energética e inovação tecnológica, destacando sua contribuição para um futuro sustentável. Anote na agenda: 24 a 28 de agosto de 2026Local: Escola de Guerra Naval (EGN) – Urca, Rio de Janeiro Salve a data e prepare-se para participar de um dos mais relevantes eventos da comunidade nuclear brasileira. Fonte: ABEN – Nuclear
INB conclui primeiros testes com varetas de combustível para microrreatores nucleares no Brasil

A Indústrias Nucleares do Brasil (INB) iniciou com sucesso os primeiros testes de fabricação das varetas de combustível que serão usadas no desenvolvimento de microrreatores nucleares, um marco estratégico para a tecnologia nuclear nacional. A etapa, realizada na unidade de Resende (RJ), representa um avanço crucial na capacidade de produzir em larga escala os componentes fundamentais do combustível desses novos reatores. Segundo o engenheiro metalúrgico Franklin Palheiros, responsável pela área técnica na INB, os testes permitem identificar e ajustar processos antes do início da produção planejada para 2027, que abastecerá o protótipo de microrreator brasileiro. As varetas de combustível abrigam o urânio que, durante a operação do reator, gera calor para conversão em energia elétrica o princípio básico da fissão nuclear controlada. Os microrreatores, compactos e transportáveis, são vistos como uma solução estratégica para fornecer energia limpa, segura e contínua em áreas isoladas, comunidades ribeirinhas e pequenos municípios distantes de grandes centros urbanos. Após a conclusão dos testes, a INB deverá seguir com a qualificação dos processos produtivos e buscar as autorizações da Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN) para produção em escala. O projeto em andamento teve início em julho de 2025, tem duração prevista de três anos e conta com um investimento de cerca de R$ 50 milhões, com aporte da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e da Diamante Energia. A iniciativa integra 13 parceiros entre empresas, órgãos públicos e instituições de pesquisa e ensino superior. Participação de instituições acadêmicas e cientistas Embora a reportagem original da Petronotícias não cite diretamente docentes ou discentes de programas acadêmicos específicos, fontes institucionais e documentos oficiais sobre o Programa de Microrreator Nuclear Nacional indicam a participação ativa de universidades e centros de pesquisa no desenvolvimento da tecnologia. Essas instituições contribuem com pesquisa técnica, desenvolvimento de materiais e sistemas auxiliares, e formação de recursos humanos em engenharia nuclear e áreas correlatas. Estudantes de pós-graduação e docentes dessas universidades participam de atividades de pesquisa, modelagem, simulações e desenvolvimento tecnológico vinculados ao projeto — embora não haja, até o momento, menção pública na matéria-base à participação individualizada de alunos ou professores de um programa acadêmico específico. Importância e próximos passos A conclusão dos testes de varetas marca o início de uma série de etapas exigidas para a produção industrial de combustível nuclear para microrreatores. O processo inclui qualificação dos métodos, auditorias de qualidade, documentação técnica e aprovação regulatória. Especialistas afirmam que o desenvolvimento de microrreatores pode colocar o Brasil na vanguarda de tecnologias nucleares descentralizadas, oferecendo alternativas energéticas para regiões remotas e setores industriais que demandam energia contínua com baixo impacto ambiental. Fonte: Petronotícias
Coordenador Fernando Carvalho e Dr.ª Claubia Pereira do INCT confirmados como palestrantes da VIII SENCIR

A VIII SENCIR – International Week of Nuclear and Energy Engineering and Radiation Sciences será realizada de 9 a 13 de novembro de 2026, das 8h às 17h, na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em Belo Horizonte. A VIII SENCIR é um congresso bienal voltado à divulgação de atividades científicas e acadêmicas nas áreas de engenharia nuclear, engenharia de energia e ciências da radiação. O evento também promove o debate sobre avanços tecnológicos e científicos, além de compartilhar informações relevantes sobre o mercado de trabalho nesses campos. As duas últimas edições da SENCIR contaram com a participação de palestrantes nacionais e internacionais, consolidando o evento no cenário acadêmico. Diante do alcance e do sucesso obtidos, a oitava edição está sendo preparada para se firmar oficialmente como um evento de caráter nacional e internacional. Entre os palestrantes confirmados estão o Dr. Fernando Carvalho da Silva, professor do Programa de Engenharia Nuclear e coordenador do INCT, e a Dr.ª Claubia Pereira, também do INCT. O congresso está sendo organizado pelo Departamento de Engenharia Nuclear da Escola de Engenharia da UFMG, com a colaboração e o apoio de instituições do Brasil e do exterior. Tradicionalmente, os trabalhos completos apresentados no evento são publicados nos anais do congresso e divulgados em sessões de pôsteres e apresentações orais. A programação inclui palestras com especialistas, minicursos, mesas-redondas, workshops, estandes com demonstrações de estudos e equipamentos, apresentações de trabalhos de pesquisa e visitas técnicas. O evento representa uma importante oportunidade para o fortalecimento de colaborações, desenvolvimento de projetos conjuntos e ampliação de estudos entre especialistas do Brasil e de outros países no setor nuclear. Clique AQUI para mais informações!
Demanda da inteligência artificial pode impulsionar expansão histórica da energia nuclear até 2050

O avanço acelerado da inteligência artificial (IA) está provocando uma mudança profunda no debate global sobre energia, e a energia nuclear voltou ao centro das estratégias de longo prazo. Um relatório internacional aponta que a capacidade nuclear instalada no mundo pode registrar um salto histórico até 2050, impulsionada principalmente pela demanda crescente de eletricidade dos data centers que sustentam modelos de IA, serviços em nuvem e sistemas digitais de alta complexidade. Todo o conforto, automação e agilidade proporcionados pelas ferramentas de inteligência artificial têm um custo energético significativo. Os data centers responsáveis por treinar, armazenar e operar modelos avançados consomem volumes de eletricidade comparáveis aos de países inteiros. Essa “fome” energética passou a ser tratada como um dos principais desafios da nova economia digital e foi tema de discussões estratégicas no Fórum Econômico Mundial de 2026, em Davos, onde líderes políticos, executivos de tecnologia e especialistas em energia debateram como sustentar essa expansão sem comprometer metas climáticas. Nesse contexto, a Associação Nuclear Mundial divulgou o relatório World Nuclear Outlook, indicando que os planos já anunciados por diferentes governos podem elevar a capacidade nuclear global para cerca de 1.446 gigawatts até 2050. Hoje, a potência somada dos reatores em operação no mundo gira em torno de 370 a 380 gigawatts elétricos (GW). A projeção representa, portanto, uma expansão sem precedentes, recolocando a energia nuclear como um dos pilares para garantir oferta estável e de grande escala nas próximas décadas. O diagnóstico que se consolida entre especialistas é que a infraestrutura elétrica se tornou o verdadeiro gargalo da era da inteligência artificial. Algoritmos evoluem rapidamente, chips ficam mais potentes e aplicações se multiplicam, mas a geração de energia precisa acompanhar esse ritmo. Treinar grandes modelos, manter sistemas generativos funcionando 24 horas por dia e expandir serviços digitais globais exige fornecimento contínuo, confiável e de baixa emissão de carbono, características associadas à geração nuclear. Além da estabilidade, a energia nuclear é vista como aliada na transição energética, por não emitir gases de efeito estufa durante a operação. Para muitos países, a combinação de renováveis com usinas nucleares passa a ser considerada uma estratégia para atender à crescente demanda sem aumentar a dependência de combustíveis fósseis. Ao mesmo tempo, o debate sobre segurança, custos, resíduos e aceitação social segue como parte central das decisões que moldarão o ritmo dessa expansão. Com a digitalização avançando sobre praticamente todos os setores, da indústria à saúde, da educação aos serviços financeiros, a relação entre inteligência artificial e energia tende a se tornar cada vez mais estreita. O cenário projetado até 2050 indica que o futuro da IA não depende apenas de avanços computacionais, mas também da capacidade global de produzir eletricidade em escala suficiente, de forma segura e sustentável, colocando a energia nuclear novamente em posição estratégica no tabuleiro energético mundial. Fonte: Veja
Data centers e energia nuclear: novas oportunidades no cenário tecnológico brasileiro

O Brasil desponta como um dos principais destinos globais para investimentos em data centers, com expectativa de atrair cerca de US$ 3 trilhões nos próximos cinco anos, segundo a Moody’s. Atualmente na 12ª posição do ranking mundial e líder na América Latina, o país conta com cerca de 200 empreendimentos e previsão de investimentos entre R$ 60 bilhões e R$ 100 bilhões até 2030. De acordo com o ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, fatores como abundância de energia e água, além da posição estratégica no tráfego internacional de dados e da rede de cabos submarinos, tornam o Brasil altamente atrativo. O Ministério das Comunicações planeja implementar uma Política Nacional de Data Centers, vinculada à Nova Indústria Brasil (NIB), com foco em segurança jurídica, eficiência energética e formação de mão de obra, além da criação do Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center no Brasil (Redata), que depende de aprovação do Congresso Nacional. Esse cenário pode favorecer parcerias com o setor nuclear, especialmente diante da crescente demanda energética dos data centers. Grandes empresas de tecnologia já adotam a energia nuclear como alternativa limpa e confiável. Em janeiro, a Meta firmou parcerias com TerraPower, Oklo Inc. e Kairos Power para abastecer o projeto Prometheus, um supercluster de IA. Amazon e Google também anunciaram acordos com instituições do setor nuclear, incluindo projetos com pequenos reatores modulares (SMRs). No Brasil, esse contexto pode impulsionar o desenvolvimento do primeiro microrreator nuclear nacional, cujo licenciamento da Unidade Crítica teve início no fim de 2025. O projeto, desenvolvido no Instituto de Engenharia Nuclear (IEN/CNEN) com a participação de 13 parceiros institucionais, prevê aplicações como o fornecimento de energia para data centers. Segundo o Dr. Francisco José de Oliveira Ferreira, diretor substituto do IEN/CNEN, os microrreatores nucleares se apresentam como uma solução compacta, eficiente e sustentável para garantir energia contínua e confiável às operações críticas de inteligência artificial. Clique AQUI para mais informações! Fonte: Gov.br
Microrreatores nucleares entram no radar de longo prazo no Brasil

Os microrreatores nucleares voltam a integrar o planejamento energético de longo prazo do Brasil, impulsionados por investimentos públicos e privados e pela construção de uma unidade crítica no Rio de Janeiro. Com potência entre 1 e 10 megawatts, esses reatores são voltados ao atendimento de comunidades isoladas, polos industriais e infraestruturas remotas, como alternativa aos geradores a diesel, enquanto os pequenos reatores modulares (SMRs) e as usinas convencionais seguem atendendo demandas maiores do sistema elétrico. No país, a tecnologia ainda está em fase experimental. O principal projeto reúne cerca de R$ 30 milhões do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, via Finep, e aproximadamente R$ 20 milhões de contrapartida privada liderada pela Diamante Geração de Energia, com foco em pesquisa e formação técnica, sem geração comercial de energia. No cenário internacional, países como Estados Unidos, China, Rússia, Canadá e Japão também mantêm os microrreatores majoritariamente em unidades de teste ou demonstração. Entre os desafios estão o combustível nuclear, já que muitos projetos exigem enriquecimento acima dos 5% dominados pelo Brasil, e a gestão de rejeitos, hoje armazenados de forma provisória, como ocorre nas usinas de Angra, que ainda não contam com um repositório geológico definitivo. Apesar dos avanços em segurança, como resfriamento passivo e maior automação, a expectativa é que a aplicação comercial dos microrreatores no Brasil ocorra apenas no final da década de 2030, inicialmente em projetos-piloto, competindo com outras fontes de baixo carbono em nichos específicos onde confiabilidade e logística são determinantes. Confira a notícia completa AQUI! Fonte: CNN Brasil
Governo avança e cria grupo de trabalho para estudos sobre Microrreatores Nucleares

O governo federal avançou na agenda de estudos sobre novas tecnologias nucleares ao instituir um Grupo Técnico para avaliar a infraestrutura nacional necessária à eventual recepção de pequenos e microrreatores nucleares no Brasil. A iniciativa foi formalizada pelo Comitê de Desenvolvimento do Programa Nuclear Brasileiro, vinculado ao Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, por meio da Resolução nº 43/2026, publicada nesta quarta-feira (7) no Diário Oficial da União. Os microrreatores modulares são reatores nucleares de baixa potência, geralmente de até 300 MW, desenvolvidos de forma compacta e padronizada. A tecnologia permite a geração de energia descentralizada e contínua, sendo considerada uma alternativa com menor custo e prazo de implantação mais curto em comparação às usinas nucleares convencionais. Em desenvolvimento em diversos países, os microrreatores têm ganhado destaque no debate energético global. No Brasil, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, tem defendido publicamente a ampliação dos investimentos na fonte nuclear, ressaltando o potencial brasileiro em urânio e a importância de uma matriz energética mais segura, confiável e distribuída. O Grupo Técnico será coordenado pelo Ministério de Minas e Energia e contará com representantes titulares e suplentes de diferentes órgãos e entidades, entre eles o Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, os ministérios da Ciência, Tecnologia e Inovação, do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, do Meio Ambiente e Mudança do Clima e de Minas e Energia, além de instituições como a Comissão Nacional de Energia Nuclear, a Autoridade Nacional de Segurança Nuclear, a Eletronuclear, a Empresa de Pesquisas Energéticas, o Ibama, as Indústrias Nucleares do Brasil S.A. e a Marinha do Brasil, por meio de sua Diretoria-Geral de Desenvolvimento Nuclear e Tecnológico. O prazo inicial de funcionamento do grupo será de 180 dias, com possibilidade de prorrogação por até 90 dias. As reuniões ordinárias e extraordinárias estão previstas para ocorrer no Palácio do Planalto, em Brasília. Fonte: Canal Solar
Novo navio russo de propulsão nuclear terá capacidade de quebrar gelo com até 3 metros no Oceano Ártico

A Rússia deu mais um passo na ampliação de sua frota de quebra-gelos nucleares com o assentamento da quilha do Stalingrado, o sétimo navio do Projeto 22220, no Estaleiro do Báltico. A etapa marca o avanço da construção de uma embarcação projetada para operar em algumas das condições mais extremas do planeta, com capacidade de romper camadas de gelo de até 3 metros de espessura no Oceano Ártico. Quando entrar em serviço, o Stalingrado será o nono navio de propulsão nuclear da frota russa, reforçando a estratégia do país de manter operação contínua em regiões de altas latitudes, onde o gelo impõe severas limitações à navegação convencional. A série do Projeto 22220 é considerada a espinha dorsal dessa atuação, combinando alta potência, grande autonomia e flexibilidade operacional. Avanço do programa e relevância estratégica O assentamento da quilha simboliza o progresso do programa de quebra-gelos nucleares, considerado essencial para garantir a navegabilidade da Rota Marítima do Norte ao longo de todo o ano. A capacidade de enfrentar gelo espesso coloca o Stalingrado em um patamar elevado de desempenho, ampliando o alcance logístico e operacional no Ártico. O nome do navio faz referência à cidade de Stalingrado, atual Volgogrado, em homenagem à histórica Batalha de Stalingrado, travada entre julho de 1942 e fevereiro de 1943, um dos episódios decisivos da Segunda Guerra Mundial. A cerimônia foi planejada para coincidir simbolicamente com o início da Operação Urano, contraofensiva soviética que marcou a virada do conflito naquela região. Durante a solenidade realizada por videoconferência, o presidente Vladimir Putin destacou que o novo quebra-gelo deverá abrir caminhos em meio ao gelo do Ártico e se tornar um símbolo da capacidade técnica e criativa do país em condições extremas. Rota Marítima do Norte e soberania logística Outro ponto central abordado no evento foi o desenvolvimento do Corredor de Transporte Transártico, que incorpora a Rota Marítima do Norte como eixo estratégico. Segundo Alexey Likhachev, diretor-geral da Rosatom, a consolidação dessa rota fortalece a soberania logística russa e sustenta projetos nacionais no Ártico. Em um gesto simbólico, o veterano da Batalha de Stalingrado Pavel Vinokurov, de 103 anos, entregou a Likhachev uma cápsula com terra de Volgogrado, que será mantida a bordo do navio como homenagem histórica. Design, tecnologia e estágio da obra O Stalingrado terá identidade visual própria, com superestrutura branca e detalhes em vermelho. Na parte frontal, um mural com uma estrela branca sobre fundo vermelho faz referência à escultura “A Pátria Chama”, símbolo da cidade homenageada. Além do aspecto simbólico, o esquema visual facilita a distinção entre os navios da mesma classe, como o Leningrado, que utiliza cores azul e branca. No momento do assentamento da quilha, a embarcação estava com cerca de 4% da construção concluída, com as três primeiras seções do casco já montadas. O projeto mantém as principais características do Projeto 22220, incluindo dois reatores nucleares RITM-200, sistema de propulsão elétrica de corrente alternada e projeto de calado duplo, que permite operar tanto em águas profundas quanto rasas. Próximos passos Além do Stalingrado, outros navios da mesma classe seguem em construção no Estaleiro do Báltico, como o Chukotka e o Leningrado. A futura incorporação do novo quebra-gelo deve ampliar a capacidade russa de manter operações regulares no Ártico, consolidando a presença em uma região estratégica onde o gelo ainda representa o principal desafio à navegação. Com isso, a Rússia reforça sua aposta em meios navais nucleares especializados para sustentar planos de transporte, logística e exploração em áreas de alta latitude, onde tecnologia e resistência são fatores decisivos. Fonte: Click Petróleo e Gás
Brasil inicia processo para abrigar primeiros microrreatores com capacidade para produzir energia elétrica renovável

O setor nuclear brasileiro registra um avanço inédito ao iniciar o processo para a instalação da primeira unidade crítica destinada a abrigar microrreatores nucleares no país. O empreendimento, que será implantado no Rio de Janeiro, marca um passo estratégico para atender às crescentes demandas por energia limpa, inovação tecnológica e segurança no fornecimento elétrico. A iniciativa reúne 13 parceiros institucionais e conta com investimento total de R$ 50 milhões, sendo R$ 30 milhões aportados pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), por meio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). Coordenado pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), o projeto envolve a participação de empresas privadas, órgãos de fomento, instituições científicas, universidades e organismos internacionais, como a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). A expectativa é que os primeiros microrreatores desenvolvidos a partir dessa unidade estejam prontos para uso até 2033, ampliando as possibilidades de aplicação da energia nuclear em escala local. Os microrreatores nucleares são projetados para fornecer energia elétrica de forma estável e contínua a pequenas cidades, além de atender a demandas específicas de data centers, plataformas de petróleo offshore, bases militares e diversos segmentos industriais, como metalurgia, indústria alimentícia, química, têxtil e de produtos minerais não metálicos. Compactos e transportáveis, esses sistemas representam uma alternativa viável para regiões onde a expansão das redes de transmissão é limitada ou economicamente inviável. De acordo com levantamento do MCTI, cerca de 68% dos municípios brasileiros — especialmente aqueles com menos de 20 mil habitantes — têm potencial para receber energia por meio de microrreatores nucleares, o que pode impactar diretamente a vida de aproximadamente 30 milhões de pessoas. A tecnologia também se mostra estratégica para atender comunidades ribeirinhas e localidades situadas em áreas de mata, substituindo sistemas isolados movidos a combustíveis fósseis e reduzindo custos logísticos e emissões de gases de efeito estufa. A unidade crítica será instalada no Instituto de Engenharia Nuclear (IEN), vinculado à CNEN, no Rio de Janeiro. Essa estrutura operará em potência extremamente baixa, na escala de 100 watts, suficiente para manter a reação nuclear em cadeia de forma controlada e permitir a validação de parâmetros de segurança, engenharia e operação. Após o licenciamento para a construção, o cronograma oficial prevê que o primeiro microrreator nuclear brasileiro esteja apto a entrar em operação até 2033. Para o secretário de Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento Social do MCTI, Inácio Arruda, o projeto reafirma a confiança do governo federal na ciência como vetor de desenvolvimento. Segundo ele, o apoio à pesquisa e à inovação, especialmente na área de energia, pode gerar benefícios significativos para o país em múltiplos setores. O diretor do Instituto de Engenharia Nuclear, Cristóvão Araripe, ressalta que a iniciativa contribui diretamente para enfrentar desafios centrais do século XXI, como a descarbonização, a transição energética e o desenvolvimento sustentável. A energia nuclear, destaca, tem como uma de suas principais vantagens a geração de eletricidade sem emissão direta de gases poluentes responsáveis pelo aumento do efeito estufa. Na avaliação do diretor-executivo da Terminus P&D em Energia, Adolfo Braid, uma das empresas investidoras do projeto, o Brasil dispõe de capacidade científica, tecnológica e industrial para projetar, fabricar e operar microrreatores nucleares com excelência. Segundo ele, dominar todo o ciclo do combustível e internalizar esse conhecimento estratégico representa um ganho significativo para o país, que se traduz, ao final, em benefícios diretos para a população brasileira, especialmente em regiões hoje pouco atendidas pelo sistema elétrico. Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação