Energia nuclear para data centers: Por que o cronograma para os SMRs de quarta geração é 2035

O uso de energia nuclear para alimentar data centers e a infraestrutura de inteligência artificial voltou ao centro do debate global. Embora projeções otimistas apontem para a adoção de Small Modular Reactors (SMRs) já no fim desta década, especialistas alertam que esse cronograma é irrealista. A realidade técnica e regulatória indica que a implantação comercial em larga escala dos SMRs de quarta geração só deve ocorrer a partir de 2035. A avaliação consta de análises recentes sobre a convergência entre energia nuclear e infraestrutura digital, que destacam gargalos estruturais que vão muito além de financiamento ou vontade política. O desafio central: não é falta de capital, é física Segundo especialistas do setor, o principal entrave para antecipar o uso de SMRs avançados não está no investimento, mas na ciência dos materiais. Diferentemente dos reatores de água leve tradicionais, os SMRs de quarta geração operam em temperaturas extremamente elevadas — entre 700°C e 950°C — utilizando tecnologias como sais fundidos, sódio líquido ou gás. Nessas condições, os metais sofrem um fenômeno chamado fluência térmica (thermal creep), no qual o material se deforma lentamente ao longo do tempo sob estresse contínuo. Para garantir a segurança nuclear, os componentes estruturais precisam ser certificados conforme o ASME Boiler and Pressure Vessel Code, que exige anos de testes físicos reais. De acordo com essas normas, não é possível “acelerar” artificialmente os ensaios elevando a temperatura, pois isso altera o modo de falha do material. Na prática, qualificar um material para operar por 30 anos requer cerca de 10 anos de dados experimentais válidos. Sem isso, não há licenciamento possível. Por essa razão, projetos mais pragmáticos, como os primeiros reatores Natrium, optam por ligas metálicas já amplamente conhecidas, como o aço inoxidável 316, mesmo com menor desempenho térmico, em troca de previsibilidade regulatória. Outro gargalo crítico: o combustível HALEU Além dos materiais, há um segundo obstáculo estrutural: a cadeia de suprimento de combustível nuclear. A maioria dos SMRs de quarta geração depende do HALEU (High-Assay Low-Enriched Uranium), um tipo de urânio com grau de enriquecimento superior ao usado em reatores convencionais. Atualmente, a capacidade comercial de produção de HALEU é extremamente limitada. Para sustentar uma frota de SMRs voltada a data centers na década de 2030, seriam necessárias mais de 50 toneladas métricas por ano. No entanto, a produção existente é da ordem de centenas de quilos anuais, exigindo uma expansão de 50 a 100 vezes. Construir essa infraestrutura envolve novos complexos industriais de enriquecimento e licenciamento rigoroso, um processo que pode levar de 5 a 7 anos, mesmo após decisões políticas favoráveis. A ilusão da aceleração por inteligência artificial Embora a inteligência artificial tenha avançado de forma significativa na simulação de materiais e sistemas complexos, ela não substitui os testes físicos exigidos pelos reguladores nucleares. Modelagens computacionais ajudam a prever falhas, mas a validação final exige ensaios “in-pile”, ou seja, testes realizados dentro de reatores em operação real, onde materiais são expostos simultaneamente à radiação e ao calor extremo por longos períodos. Ensaios acelerados com feixes de íons, por exemplo, afetam apenas a superfície dos materiais e não reproduzem o comportamento estrutural completo sob fluxo de nêutrons, requisito fundamental para o licenciamento. Quando os SMRs estarão prontos para os data centers? O consenso técnico aponta que protótipos e unidades de demonstração devem surgir no fim dos anos 2020. No entanto, a implantação comercial em escala compatível com grandes operadores de data centers — como os hyperscalers — não deve ocorrer antes de 2035, podendo se estender até 2040. A estratégia de transição: a “Bridge Strategy” Diante desse cenário, especialistas recomendam que operadores de infraestrutura digital adotem uma estratégia de transição, em vez de “esperar pela nuclear”. Essa abordagem inclui: Energia nuclear e o futuro da IA A energia nuclear continua sendo vista como a única solução de longo prazo capaz de fornecer energia firme, limpa e em grande escala para sustentar a expansão da inteligência artificial. No entanto, a maturação tecnológica dos SMRs de quarta geração segue um ritmo imposto pela física, pela engenharia e pela regulação — não pelo marketing. Assim, o ano de 2035 surge não como um atraso, mas como um horizonte realista, alinhado com a segurança, a confiabilidade e a sustentabilidade que a infraestrutura crítica global exige. Fonte: Tony Graysonvet
Navios nucleares podem ajudar a reduzir a poluição nos mares? Uso de energia nuclear em navios volta a ser discutido no setor naval

Uso de energia nuclear em navios volta a ser discutido no setor naval
Deep Atomic propõe data center de IA alimentado por SMR no Laboratório Nacional de Idaho

Projeto pode se tornar o primeiro campus de IA totalmente movido a energia nuclear nos EUA
ANSN visita Complexo Termoelétrico Jorge Lacerda para avaliar potencial de instalação do primeiro pequeno reator modular (SMR) do País

A Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN) realizou, na quinta-feira (30), uma visita técnica ao Complexo Termoelétrico Jorge Lacerda, em Capivari de Baixo (SC), com o objetivo de avaliar o potencial de aproveitamento da infraestrutura existente para futuras aplicações com pequenos reatores modulares (SMRs), uma tecnologia inovadora em estudo no cenário internacional. Os SMRs representam uma nova geração de reatores nucleares voltados à geração elétrica segura, eficiente e de baixo impacto ambiental. Durante a visita, a comitiva da ANSN acompanhou apresentações técnicas, percorreu áreas operacionais e discutiu aspectos gerais sobre o conceito de reaproveitamento de instalações termoelétricas para eventual implantação desses reatores, em linha com experiências já analisadas em outros países. O diretor-presidente da ANSN, Alessandro Facure, destacou que as discussões estão em estágio inicial e não envolvem qualquer procedimento de licenciamento: “Estamos conhecendo as instalações e debatendo possibilidades técnicas. Não se trata de um processo de licenciamento, mas de uma discussão preliminar sobre uma alternativa que já vem sendo estudada no mundo — a de aproveitar estruturas de termoelétricas convencionais para abrigar pequenos reatores modulares.” Também participaram da visita o diretor de Instalações Nucleares e Salvaguardas (DINS), Ailton Fernando Dias, o coordenador-geral de Reatores, Daniel Palma, e o chefe de Gabinete, Ricardo Guterres. A iniciativa faz parte dos esforços da ANSN para acompanhar tendências tecnológicas e debates internacionais sobre novas gerações de reatores nucleares, reforçando o compromisso da Autoridade com a inovação, a segurança e o desenvolvimento sustentável do setor nuclear brasileiro. Fonte: Gov.br
Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados discute o uso de pequenos reatores nucleares modulares no Brasil

A Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados realiza nesta terça-feira (21), às 16h, uma audiência pública para discutir os pequenos reatores nucleares modulares (SMRs) e seu potencial para fortalecer a segurança energética e acelerar a descarbonização no Brasil. A iniciativa foi proposta pelo deputado Julio Lopes (PP-RJ), que destacou a importância de alinhar o país ao avanço global da tecnologia nuclear modular. Os SMRs (Small Modular Reactors) representam uma nova geração de reatores mais seguros, eficientes e escaláveis, com montagem modular e emissões praticamente nulas de carbono. A tecnologia pode complementar fontes renováveis, como solar e eólica, e levar energia a regiões remotas. A audiência reunirá representantes de destaque do setor, entre eles André Augusto Campagnole dos Santos (CNEN/MCTI), Almirante de Esquadra Alexandre Rabello de Faria (Marinha do Brasil), Alessandro Facure Neves de Salles Soares (ANSN), Carlos Henrique Seixas (ABEN), André Luiz Rodrigues Osório (Eletronuclear), Thiago Ivanoski (EPE), Vice-Almirante Carlos Alberto Matias (AMAZUL), Marco Aurélio Vieira (IPEGEN), além de representantes da Eletrobras, Rosatom, Rosenergoatom, e especialistas como Giovanni Laranjo de Stefani (Coppe/UFRJ) e Glauciele Avelar (Nuclep). O debate também abordará a retomada de Angra 3, vista como essencial para consolidar a base tecnológica do setor nuclear brasileiro. A Marinha do Brasil, com sua experiência em reatores de pequeno porte, pode contribuir para o avanço dos SMRs civis. A Associação Brasileira de Energia Nuclear (ABEN) defende o investimento nessa tecnologia como parte da transição energética e da meta de neutralidade de carbono até 2050. Países como Estados Unidos, Canadá e Rússia já estão em estágio avançado de desenvolvimento dos reatores modulares, e o Brasil busca se inserir nesse cenário de inovação e soberania tecnológica. Confira a notícia completa AQUI! Fonte: Cenário Energia
Vinicius Costa Lima, aluno da Escola Politécnica da UFRJ, é premiado em olimpíada internacional de segurança financeira na Rússia

Vinicius Costa Silva, aluno de Engenharia Nuclear da Escola Politécnica da UFRJ, foi premiado na final do International Financial Security Olympiad 2025, realizada em Krasnoyarsk, na Rússia, entre 29 de setembro e 3 de outubro. Ele recebeu o Diploma de Certificação na área de Economia, entregue pelo presidente do Banco Promsvyazbank, Pyotr Fradkov. A delegação brasileira, coordenada pelo professor Fabio Krykhtine, da Escola Politécnica e Coordenador Especial de Relações Internacionais para a Rússia, contou com nove alunos da UFRJ: Anna Paula Rodrigues Tambasco, Giovanna Rodrigues Tambasco, Giovanni Valadão Tozzi e Mateus Faria Leite Ferreira (Engenharia Naval); Vinicius Costa Silva (Engenharia Nuclear); Thomas Victor Cordeiro Guerra Strong (Engenharia Mecânica); Victor Pereira da Silva dos Santos (Ciência da Computação); Vitor Fontes Simões e Samuel Villarino Soares Koehler (Economia). A Olimpíada, considerada um dos maiores eventos globais sobre segurança financeira, reuniu 600 finalistas de 40 países e incluiu provas presenciais, palestras e atividades culturais. Os participantes visitaram a Universidade Estatal de Moscou Lomonosov e participaram de eventos de integração, como uma partida internacional de xadrez entre brasileiros e russos. Vinicius também participou da competição oficial de xadrez, que selecionou oito finalistas para enfrentar o campeão mundial Sergey Karjakin. Além disso, esteve na Rússia em setembro, em São Petersburgo, para o evento Komanda 2025, promovido pela Rosatom, onde apresentou um artigo sobre Pequenos Reatores Modulares (SMR), orientado pelos professores Carlos Cosenza e Fabio Krykhtine. Segundo Krykhtine, a cooperação com instituições russas tem ampliado as oportunidades acadêmicas e culturais para os alunos da UFRJ, fortalecida recentemente pela criação da Sala Innopraktika, no Centro de Tecnologia da universidade. Clique AQUI para conferir a notícia completa! Fonte: Escola Politécnica UFRJ
Por que a energia nuclear está reconquistando espaço no cenário mundial

A energia nuclear, antes desacreditada por acidentes como Chernobyl e Fukushima e pelos altos custos de gestão, vive um ressurgimento global. Países que antes planejavam abandonar a fonte, como Japão, Alemanha, Suécia e Itália, estão reavaliando suas posições e até ampliando projetos. A Finlândia inaugurou o maior reator da Europa em 2023, enquanto os EUA e a China lideram novos investimentos. Esse movimento é impulsionado pela necessidade de substituir o carvão e reduzir a dependência do gás russo, além da pressão por energia limpa e estável. Empresas privadas e gigantes da tecnologia investem em novos modelos, como pequenos reatores modulares (SMRs) e pesquisas em fusão nuclear. O setor também busca reduzir custos e prazos por meio da padronização de projetos e da cooperação empresarial. No entanto, o futuro da energia nuclear dependerá de políticas públicas de longo prazo, investimentos em qualificação e da superação de entraves burocráticos sem comprometer a segurança. Confira a notícia completa AQUI! Fonte: Gazeta do Povo
Diamante Energia desenvolve microrreator com potencial para transformar o setor nuclear no Brasil

A Diamante Energia e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) assinaram recentemente um contrato para viabilizar o desenvolvimento de microrreatores nucleares (MRNs) no Brasil. O projeto, coordenado por Adolfo Braid, busca criar a base tecnológica e industrial necessária para uma futura cadeia de suprimentos nacional no setor. Segundo Braid, a iniciativa representa um marco para a soberania tecnológica brasileira: “Este projeto é o ponto de partida para que o Brasil construa sua própria independência no setor de microrreatores, garantindo competitividade e relevância no cenário nuclear global do futuro.” Os MRNs são reatores de pequeno porte, versáteis e seguros, com aplicações que vão desde a estabilização de microrredes e abastecimento de localidades remotas, até o fornecimento contínuo de energia para data centers e o suporte a setores industriais. Próximos passos Após a assinatura do contrato com a Finep, serão firmados acordos com Instituições de Ciência, Tecnologia e Inovação (ICTs), que conduzirão parte essencial do trabalho. Também está prevista a implantação das Unidades de Desenvolvimento Tecnológico (UDTs), fundamentais para elevar a tecnologia ao nível de maturidade necessário (TRL-6). Entre os focos da pesquisa estão: Diferenciais do projeto brasileiro O projeto nacional se destaca por propor soluções específicas, utilizando urânio de baixo enriquecimento (LEU), pastilhas de UO₂ encapsuladas em varetas metálicas e grafite como moderador e refletor. Essas escolhas tornam o modelo conceitualmente distinto, otimizado para as condições e demandas brasileiras. Impactos e perspectivas Os MRNs podem transformar o setor energético do país. Entre as aplicações promissoras estão o uso em plataformas offshore, mobilidade elétrica em grande escala, indústrias intensivas em energia e abastecimento de regiões isoladas. Além disso, o projeto pode gerar impactos socioeconômicos relevantes: O cronograma prevê que um protótipo entre em operação em até três anos, e que a primeira unidade comercial esteja pronta em até oito anos. Com essa iniciativa, o Brasil dá um passo decisivo rumo à soberania energética e tecnológica, inserindo-se de forma competitiva na corrida global pela inovação nuclear. Fonte: petronoticias
Pequenos Reatores Modulares no Setor Marítimo e Naval: Avanços, Aplicações e Perspectivas Globais

Os Pequenos Reatores Modulares (Small Modular Reactors – SMRs) vêm ganhando destaque como alternativa flexível e de menor porte para a geração de energia nuclear. No contexto marítimo e naval, esses reatores compactos aproveitam décadas de experiência em propulsão nuclear naval, já aplicada em mais de 160 embarcações — incluindo submarinos, porta-aviões e quebra-gelos. A atratividade dos SMRs está em sua alta densidade de potência e na capacidade de operar por longos períodos sem reabastecimento, o que os torna viáveis em ambientes desafiadores, como mar aberto e áreas remotas. Nos últimos anos, a combinação de avanços tecnológicos e das crescentes pressões pela descarbonização tem renovado o interesse por SMRs em aplicações civis (como geração offshore, dessalinização e transporte marítimo comercial), ao mesmo tempo em que sua relevância permanece essencial em aplicações militares, especialmente na propulsão de submarinos e navios de guerra. A pesquisa destaca o estágio atual de desenvolvimento dos SMRs marítimos e navais, incluindo: Os SMRs representam, assim, um caminho promissor para a inovação energética, reforçando o papel estratégico da energia nuclear no transporte marítimo e na segurança global. Fonte: Leonam Guimarães
Reator Nuclear Histórico de São Paulo Passa a Produzir Radiofármacos para Tratamento de Câncer

Um reator nuclear com quase 70 anos, instalado na Cidade Universitária em São Paulo, vai contribuir para o tratamento de pacientes brasileiros com câncer. Fruto de uma parceria entre a Marinha e o IPEN (Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares), o equipamento será usado para produzir lutécio-177, um radiofármaco essencial na radioterapia, especialmente no combate ao câncer de próstata. Inaugurado em 1957, o reator foi construído em apenas 18 meses graças ao apoio da Universidade de São Paulo, que cedeu o terreno, e do CNPq, que financiou a obra. Para gerar o lutécio-177, o reator funciona 24 horas por dia, com medidas rigorosas de segurança: o processo ocorre no fundo de uma piscina de nove metros de profundidade, e todos os operadores usam dosímetros eletrônicos que monitoram a exposição à radiação. O projeto permitirá a produção nacional do radiofármaco, atualmente importado, reduzindo em até dez vezes o custo do tratamento no país e ampliando o acesso à terapia para a população brasileira. Clique AQUI para conferir a notícia completa! Fonte: CNN