
Um estudo desenvolvido por pesquisadores da COPPE/UFRJ avaliou o potencial de utilização de Pequenos Reatores Modulares (SMRs, na sigla em inglês) para atender à crescente demanda por energia elétrica de data centers no Brasil. A pesquisa estima que uma demanda de referência de 2.525 MW poderia ser atendida por entre 21 e 46 unidades de SMRs, dependendo do modelo de reator considerado. O trabalho foi publicado em 22 de outubro de 2026 na revista Frontiers in Nuclear Engineering.
Intitulado “Small modular reactors for data centers: deployment and nuclear fuel requirements”, o estudo foi elaborado por uma equipe vinculada à COPPE/UFRJ, no Rio de Janeiro, e analisou a quantidade de reatores e os requisitos de combustível nuclear necessários para atender a uma demanda específica de eletricidade associada a projetos de data centers no país.
Para estabelecer o cenário de referência, os pesquisadores utilizaram dados de solicitações de conexão de data centers ao Sistema Interligado Nacional (SIN), registradas em portarias do Ministério de Minas e Energia entre 2020 e 2025. Das 21 solicitações identificadas, 18 apresentavam informações de potência, totalizando 2.525 MW. A maior parte dessa demanda está concentrada nos estados de São Paulo, com 1.574 MW (62%), e Ceará, com 776 MW (31%).
A pesquisa comparou três projetos de reatores de água pressurizada: ACP100, BANDI e RITM-200N. Para o cenário analisado, seriam necessárias 21 unidades do ACP100, 43 unidades do BANDI ou 46 unidades do RITM-200N para atender aproximadamente à demanda considerada.
Além da quantidade de unidades, o estudo avaliou as necessidades de urânio natural de cada tecnologia. Os cálculos apontam para uma demanda anual estimada entre 1.094 toneladas e 1.314 toneladas de urânio natural, variando de acordo com o projeto do reator. O BANDI apresenta a menor demanda anual estimada, enquanto o RITM-200N apresenta a maior.
Os resultados mostram que características como potência do reator, enriquecimento do combustível, queima (burnup) e duração do ciclo de combustível influenciam diretamente os requisitos de material nuclear. O estudo também destaca que uma menor quantidade de combustível carregado inicialmente não significa necessariamente uma menor demanda de urânio natural ao longo da operação.
Os autores ressaltam que os números apresentados correspondem a um cenário de referência para análise comparativa e não constituem uma previsão de construção ou implantação de SMRs no Brasil. O trabalho também não avalia aspectos como viabilidade econômica, licenciamento, localização das instalações ou fabricação do combustível.
A pesquisa contribui para as discussões sobre alternativas de suprimento energético para data centers, instalações que apresentam elevada demanda e necessidade de fornecimento contínuo de eletricidade. Nesse contexto, o estudo oferece uma avaliação quantitativa inicial sobre a escala de implantação e os requisitos de combustível associados ao uso de SMRs para esse tipo de carga.
O trabalho reforça a atuação da COPPE/UFRJ na pesquisa em energia nuclear e planejamento energético, contribuindo com dados e análises para o debate sobre novas tecnologias de geração de energia e os desafios associados à expansão da infraestrutura digital no Brasil.
Fonte: EnergyNews.biz – SMR data centers: Brazil study counts 21 to 46 reactors
Artigo científico: Small modular reactors for data centers: deployment and nuclear fuel requirements – Frontiers in Nuclear Engineering



