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Aquilino Senra e Willian Abreu: data centers, SMRs e uma oportunidade para o sistema elétrico brasileiro

Aquilino Senra e Willian Abreu: data centers, SMRs e uma oportunidade para o sistema elétrico brasileiro

A expansão da inteligência artificial e da computação em nuvem está aumentando a demanda por grandes estruturas de data centers e, consequentemente, por fornecimento contínuo de eletricidade. Diante desse cenário, os pesquisadores Aquilino Senra e Willian Abreu, do Programa de Engenharia Nuclear da Coppe/UFRJ, analisaram a possibilidade de utilizar pequenos reatores nucleares modulares (SMRs) como fonte de energia para esses empreendimentos no Brasil.

O estudo considerou dados publicados pelo Ministério de Minas e Energia entre 2020 e 2025 e informações públicas sobre projetos de data centers. A partir desse levantamento, foi construído um cenário de referência de aproximadamente 2,52 GW de demanda elétrica, concentrada principalmente nos estados de São Paulo e Ceará.

Nova geração para acompanhar novas cargas

A análise propõe uma discussão sobre como incorporar grandes consumidores ao sistema elétrico sem simplesmente transferir toda a nova demanda para o Sistema Interligado Nacional (SIN). Nesse contexto, os SMRs são estudados como uma possibilidade de geração firme e de baixo carbono associada à expansão dos data centers.

Discussão semelhante ganhou espaço nos Estados Unidos. Em março de 2026, grandes empresas de tecnologia aderiram ao Ratepayer Protection Pledge, compromisso que prevê, entre outras medidas, que as empresas construam, viabilizem ou contratem nova geração para atender à demanda adicional de seus data centers e arquem com os custos das atualizações de infraestrutura elétrica necessárias. The White House

Outro aspecto analisado pelos pesquisadores é a disponibilidade de combustível nuclear. De acordo com os cenários do estudo, o atendimento aos 2,52 GW por SMRs poderia demandar aproximadamente 1,1 mil a 1,3 mil toneladas de urânio natural por ano, dependendo da tecnologia considerada. Os pesquisadores relacionam essa demanda ao potencial brasileiro de produção e expansão da cadeia do combustível nuclear.

Nesse cenário, a chegada de novos data centers poderia ser acompanhada não apenas pela expansão da geração elétrica, mas também por investimentos na cadeia nuclear brasileira, na prospecção e na produção de urânio.

Aquilino Senra é coordenador e Willian Abreu é pesquisador do Laboratório de Análise Neutrônica e Computacional de Reatores da Coppe/UFRJ.

Fonte: O DIA