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Novo navio russo de propulsão nuclear terá capacidade de quebrar gelo com até 3 metros no Oceano Ártico

Novo navio russo de propulsão nuclear terá capacidade de quebrar gelo com até 3 metros no Oceano Ártico

A Rússia deu mais um passo na ampliação de sua frota de quebra-gelos nucleares com o assentamento da quilha do Stalingrado, o sétimo navio do Projeto 22220, no Estaleiro do Báltico. A etapa marca o avanço da construção de uma embarcação projetada para operar em algumas das condições mais extremas do planeta, com capacidade de romper camadas de gelo de até 3 metros de espessura no Oceano Ártico.

Quando entrar em serviço, o Stalingrado será o nono navio de propulsão nuclear da frota russa, reforçando a estratégia do país de manter operação contínua em regiões de altas latitudes, onde o gelo impõe severas limitações à navegação convencional. A série do Projeto 22220 é considerada a espinha dorsal dessa atuação, combinando alta potência, grande autonomia e flexibilidade operacional.

Avanço do programa e relevância estratégica

O assentamento da quilha simboliza o progresso do programa de quebra-gelos nucleares, considerado essencial para garantir a navegabilidade da Rota Marítima do Norte ao longo de todo o ano. A capacidade de enfrentar gelo espesso coloca o Stalingrado em um patamar elevado de desempenho, ampliando o alcance logístico e operacional no Ártico.

O nome do navio faz referência à cidade de Stalingrado, atual Volgogrado, em homenagem à histórica Batalha de Stalingrado, travada entre julho de 1942 e fevereiro de 1943, um dos episódios decisivos da Segunda Guerra Mundial. A cerimônia foi planejada para coincidir simbolicamente com o início da Operação Urano, contraofensiva soviética que marcou a virada do conflito naquela região.

Durante a solenidade realizada por videoconferência, o presidente Vladimir Putin destacou que o novo quebra-gelo deverá abrir caminhos em meio ao gelo do Ártico e se tornar um símbolo da capacidade técnica e criativa do país em condições extremas.

Rota Marítima do Norte e soberania logística

Outro ponto central abordado no evento foi o desenvolvimento do Corredor de Transporte Transártico, que incorpora a Rota Marítima do Norte como eixo estratégico. Segundo Alexey Likhachev, diretor-geral da Rosatom, a consolidação dessa rota fortalece a soberania logística russa e sustenta projetos nacionais no Ártico.

Em um gesto simbólico, o veterano da Batalha de Stalingrado Pavel Vinokurov, de 103 anos, entregou a Likhachev uma cápsula com terra de Volgogrado, que será mantida a bordo do navio como homenagem histórica.

Design, tecnologia e estágio da obra

O Stalingrado terá identidade visual própria, com superestrutura branca e detalhes em vermelho. Na parte frontal, um mural com uma estrela branca sobre fundo vermelho faz referência à escultura “A Pátria Chama”, símbolo da cidade homenageada. Além do aspecto simbólico, o esquema visual facilita a distinção entre os navios da mesma classe, como o Leningrado, que utiliza cores azul e branca.

No momento do assentamento da quilha, a embarcação estava com cerca de 4% da construção concluída, com as três primeiras seções do casco já montadas. O projeto mantém as principais características do Projeto 22220, incluindo dois reatores nucleares RITM-200, sistema de propulsão elétrica de corrente alternada e projeto de calado duplo, que permite operar tanto em águas profundas quanto rasas.

Próximos passos

Além do Stalingrado, outros navios da mesma classe seguem em construção no Estaleiro do Báltico, como o Chukotka e o Leningrado. A futura incorporação do novo quebra-gelo deve ampliar a capacidade russa de manter operações regulares no Ártico, consolidando a presença em uma região estratégica onde o gelo ainda representa o principal desafio à navegação.

Com isso, a Rússia reforça sua aposta em meios navais nucleares especializados para sustentar planos de transporte, logística e exploração em áreas de alta latitude, onde tecnologia e resistência são fatores decisivos.

Fonte: Click Petróleo e Gás