
A Indústrias Nucleares do Brasil (INB) iniciou com sucesso os primeiros testes de fabricação das varetas de combustível que serão usadas no desenvolvimento de microrreatores nucleares, um marco estratégico para a tecnologia nuclear nacional. A etapa, realizada na unidade de Resende (RJ), representa um avanço crucial na capacidade de produzir em larga escala os componentes fundamentais do combustível desses novos reatores.
Segundo o engenheiro metalúrgico Franklin Palheiros, responsável pela área técnica na INB, os testes permitem identificar e ajustar processos antes do início da produção planejada para 2027, que abastecerá o protótipo de microrreator brasileiro. As varetas de combustível abrigam o urânio que, durante a operação do reator, gera calor para conversão em energia elétrica o princípio básico da fissão nuclear controlada.
Os microrreatores, compactos e transportáveis, são vistos como uma solução estratégica para fornecer energia limpa, segura e contínua em áreas isoladas, comunidades ribeirinhas e pequenos municípios distantes de grandes centros urbanos. Após a conclusão dos testes, a INB deverá seguir com a qualificação dos processos produtivos e buscar as autorizações da Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN) para produção em escala.
O projeto em andamento teve início em julho de 2025, tem duração prevista de três anos e conta com um investimento de cerca de R$ 50 milhões, com aporte da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e da Diamante Energia. A iniciativa integra 13 parceiros entre empresas, órgãos públicos e instituições de pesquisa e ensino superior.
Participação de instituições acadêmicas e cientistas
Embora a reportagem original da Petronotícias não cite diretamente docentes ou discentes de programas acadêmicos específicos, fontes institucionais e documentos oficiais sobre o Programa de Microrreator Nuclear Nacional indicam a participação ativa de universidades e centros de pesquisa no desenvolvimento da tecnologia.
Essas instituições contribuem com pesquisa técnica, desenvolvimento de materiais e sistemas auxiliares, e formação de recursos humanos em engenharia nuclear e áreas correlatas. Estudantes de pós-graduação e docentes dessas universidades participam de atividades de pesquisa, modelagem, simulações e desenvolvimento tecnológico vinculados ao projeto — embora não haja, até o momento, menção pública na matéria-base à participação individualizada de alunos ou professores de um programa acadêmico específico.
Importância e próximos passos
A conclusão dos testes de varetas marca o início de uma série de etapas exigidas para a produção industrial de combustível nuclear para microrreatores. O processo inclui qualificação dos métodos, auditorias de qualidade, documentação técnica e aprovação regulatória.
Especialistas afirmam que o desenvolvimento de microrreatores pode colocar o Brasil na vanguarda de tecnologias nucleares descentralizadas, oferecendo alternativas energéticas para regiões remotas e setores industriais que demandam energia contínua com baixo impacto ambiental.
Fonte: Petronotícias



