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Brasil prepara em São Paulo um reator-piscina de 30 MW com 23 elementos combustíveis e fluxo de até centenas de trilhões de nêutrons por segundo para produzir radioisótopos usados em hospitais

Brasil prepara em São Paulo um reator-piscina de 30 MW com 23 elementos combustíveis e fluxo de até centenas de trilhões de nêutrons por segundo para produzir radioisótopos usados em hospitais

O Brasil segue avançando em um dos projetos mais estratégicos da área nuclear: o Reator Multipropósito Brasileiro (RMB), que está sendo implantado em Iperó (SP). Com potência térmica de 30 MW, o empreendimento foi concebido para ampliar a produção nacional de radioisótopos utilizados na medicina nuclear, reduzir a dependência de importações e expandir a capacidade de pesquisa científica, desenvolvimento tecnológico e inovação em diversas áreas.

O RMB será um reator nuclear de pesquisa do tipo piscina, projetado com um núcleo composto por 23 elementos combustíveis e capacidade para gerar fluxos de nêutrons superiores a 100 trilhões de nêutrons por centímetro quadrado por segundo, permitindo aplicações em medicina, indústria, agricultura, meio ambiente e ciência dos materiais. As obras de infraestrutura tiveram início em fevereiro de 2025, após anos de planejamento, licenciamento e desenvolvimento de engenharia.

Uma das principais missões do RMB será a produção do molibdênio-99 (Mo-99), matéria-prima utilizada na obtenção do tecnécio-99m (Tc-99m), radioisótopo empregado em aproximadamente 85% dos exames de medicina nuclear realizados no Brasil. Atualmente, esse material precisa ser importado semanalmente, tornando o país dependente de fornecedores internacionais. Com a entrada em operação do RMB, a expectativa é garantir maior autonomia no abastecimento dos hospitais e centros de diagnóstico.

Além da produção de radioisótopos para uso médico, o complexo contará com uma Unidade de Processamento de Radioisótopos, responsável por transformar o material irradiado em produtos destinados às aplicações médicas e industriais.

O desenvolvimento do RMB é coordenado pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), com participação de seus institutos de pesquisa e cooperação internacional. O projeto básico foi elaborado em conjunto com a empresa argentina INVAP, referência mundial na construção de reatores de pesquisa, enquanto empresas brasileiras participam do desenvolvimento das estruturas civis e sistemas convencionais do empreendimento.

Quando concluído, o complexo reunirá o reator de pesquisa, laboratórios de radioquímica, instalações para análise de materiais irradiados, unidades de processamento de radioisótopos e infraestrutura científica destinada ao desenvolvimento tecnológico nacional. A previsão divulgada pela CNEN aponta a conclusão da fase de construção civil até 2030, seguida pelas etapas de montagem, testes, comissionamento e licenciamento antes do início da operação.

FONTE: CPG