
O Brasil deu um passo importante rumo à diversificação de sua matriz energética ao colocar oficialmente em pauta a discussão sobre os pequenos reatores nucleares modulares (SMR). A iniciativa foi formalizada com a instalação do Grupo de Trabalho nº 19 (GT-19) pelo Ministério de Minas e Energia (MME), responsável por avaliar os caminhos necessários para viabilizar a adoção dessa tecnologia no país.
Criado no âmbito do Comitê de Desenvolvimento do Programa Nuclear Brasileiro, o GT-19 reúne representantes do governo, da Autoridade Nacional de Segurança Nuclear, de empresas do setor produtivo e de instituições acadêmicas. O objetivo é construir, de forma integrada, as bases técnicas, regulatórias e institucionais para a inserção dos SMR no Brasil.
A proposta marca o início de um processo estratégico que pode levar anos, mas que começa com um ponto essencial: mapear as condições necessárias para que o país esteja preparado para essa nova geração de usinas nucleares.
O que são os pequenos reatores modulares (SMR)
Os SMR são reatores nucleares de menor porte, projetados para serem fabricados em módulos e montados no local de operação. Essa característica permite redução de custos, maior previsibilidade de prazos e flexibilidade na expansão da capacidade energética.
Diferentemente das grandes usinas tradicionais, como Angra 1 e Angra 2, os SMR podem ser instalados de forma gradual, acompanhando o crescimento da demanda. Além disso, oferecem geração contínua de energia, independentemente de condições climáticas.
No cenário internacional, países como Estados Unidos, Reino Unido, Canadá, França e China já avançam na implementação dessa tecnologia, considerada estratégica para a transição energética global.
O papel do GT-19 e os próximos passos
Entre os principais temas que serão analisados pelo grupo estão:
- Definição de locais para instalação dos reatores
- Gestão de rejeitos radioativos
- Formação de mão de obra especializada
- Modelos operacionais e regulatórios
- Estrutura de financiamento
- Seleção tecnológica
- Desenvolvimento da cadeia de suprimentos
Segundo o Ministério de Minas e Energia, a proposta é construir uma abordagem colaborativa que alinhe inovação, segurança e desenvolvimento energético.
Energia nuclear e segurança energética
Apesar de possuir uma matriz majoritariamente renovável, o Brasil enfrenta desafios relacionados à intermitência das fontes como solar e eólica e à dependência de regimes hidrológicos.
Nesse contexto, a energia nuclear se apresenta como uma fonte estável, contínua e de baixa emissão de carbono, funcionando como base para complementar outras fontes renováveis.
Os SMR, em especial, surgem como uma alternativa mais flexível e adaptável à realidade brasileira, permitindo ampliar a capacidade energética sem os desafios associados a grandes empreendimentos.
Desafios para implementação no Brasil
A adoção dos reatores modulares no país exigirá avanços importantes, como:
- Atualização do marco regulatório nuclear
- Desenvolvimento de novos critérios de licenciamento
- Definição de soluções para rejeitos radioativos
- Estruturação de modelos de financiamento viáveis
Além disso, será necessário investir na formação de profissionais qualificados, uma vez que a operação de instalações nucleares demanda alto nível de especialização.
Perspectivas
A expectativa é que o GT-19 elabore, ao longo de 2026, um conjunto de diretrizes estratégicas que orientem futuras decisões no âmbito do Programa Nuclear Brasileiro.
Mais do que um projeto imediato, a iniciativa sinaliza que o Brasil busca se posicionar diante das transformações globais no setor energético, acompanhando o avanço de tecnologias que podem desempenhar papel central na transição para uma economia de baixo carbono.
A discussão sobre os SMR abre um novo capítulo no debate energético nacional, trazendo à tona questões sobre inovação, segurança e planejamento de longo prazo para o desenvolvimento sustentável do país.
Fonte: Click Petróleo e Gás



